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Ó Abre Alas: o carnaval de Chiquinha Gonzaga (9/12/2009)
Schuma Schumaher e Sandra Ribeiro

Arquivo anexado: 16_OAbreAlas_Musica.pdf



Ó Abre Alas: O carnaval de Chiquinha Gonzaga

Em 2009 comemora-se 110 anos que a maestrina Chiquinha Gonzaga, compôs a marcha de carnaval “Ó Abre Alas”, considerada um marco da música carnavalesca e feita para o Cordão Rosa de Ouro no ano de 1899.

O Carnaval é tradicionalmente um festejo popular. Suas origens se perdem no tempo, sendo também atribuído a diversas cidades: Egito, Grécia, Roma. Sofreu transformações em conformidade com hábitos culturais dos povos que o absorveram, sendo considerado em diversas regiões enquanto festas tradicionais.

No Rio de Janeiro o carnaval sofreu influencias de hábitos portugueses como, por exemplo, o Zé Pereira, também foi acrescido do tempero africano. No século XIX os carnavais do Rio passam a utilizar apetrechos mais refinados, com as máscaras carnavalescas de Paris, ao mesmo tempo em que abandona os hábitos grosseiros do Zé Pereira (como o de jogar urina nas pessoas).

É também na segunda metade do século XIX que a música de carnaval toma impulso e seu coroamento se dá no ano de 1899 com a fabulosa música de Chiquinha Gonzaga “Ò Abre Alas”. A consagrada marchinha, criada especialmente para o Cordão Rosa de Ouro, desponta como um novo gênero musical brasileiro uma vez que é a primeira composição carnavalesca na história brasileira. E graças a Chiquinha, uma mulher pioneira nesta e em muitas outras áreas.
Em 1899, a Maestrina Chiquinha Gonzaga morava no Andaraí. Em diversas manhãs um cordão desesperava a vizinhança. Danças, batuques, canto. Em frente à casa da Maestrina passava o Cordão Rosa de Ouro. Numa tarde de domingo, foi procurada por uma comissão do Cordão que solicitaram a Chiquinha uma música para a agremiação. E foi assim que o maior nome feminino da música brasileira compôs a música “Ó Abre Alas”. Tornando-se pioneira na composição de músicas carnavalescas.
As descrições de como começa esta história é digna de menção e cabe abrir parênteses para se entender a importância dos cordões carnavalescos neste período.
A característica principal dos cordões era o estandarte. Cada cordão buscava dar mais destaque ao seu estandarte, pois significava/representava a identidade do bloco. A importância/valor era tanto, que antes do carnaval, os jornais da época cediam, seus espaços para festa de premiação para os/as melhores estandartes.
Os ensaios dos cordões tomavam a cidade. As festividades eram contagiantes e disputadas. Havia uma grande rivalidade entre eles, e desta rivalidade muitas vezes saiam brigas e acaloradas discussões. A primeira marcha de carnaval tipicamente brasileira certamente apimentou esta rivalidade e contribui para que no ano de 1899 o Cordão Rosa de Ouro saísse vencedor das disputas.
No período em que compôs a marcha de carnaval a Maestrina já havia se consagrado como compositora e autora de peças musicadas. Nas últimas décadas do império, participou intensamente na criação do estilo de música chamado “choro”, o nosso chorinho. Estilo musical tipicamente carioca. Seus primeiros sucessos foram a polca “Atraente”, “Sultana” e “Camila”, compostas respectivamente nos anos de 1877, 1878 e 1879.
Chiquinha literalmente caiu na boca do povo. Experimentava o sucesso absoluto, ao mesmo tempo em que maliciosamente era criticada por alguns grupos sociais. Isto por não aceitar que uma mulher pudesse romper os padrões de comportamento de então. O sucesso, nem sempre foi acompanhado do retorno financeiro. Em momentos de dificuldades a maestrina recorria ao magistério, lecionando francês, geografia, história, português e principalmente canto e piano.
Em 1859 fundado o “Alcazar Lírio” e inaugurando as temporadas de operetas no Brasil. A partir da década de 1880 Chiquinha vislumbra novas oportunidades profissionais com a emergência do teatro musical. Deve-se acrescentar que esta novidade abre espaço para novos compositores. Muito embora tenha composto operetas inéditas, somente, em 1885, Chiquinha conseguiu levar a cena a peça “A Corte na Roça”, considerada a primeira peça posta em música por uma mulher (uma opereta de costumes). Daí para frente ninguém segurou Chiquinha. Lançou outras operetas de sucesso. Empenhou-se nas campanhas abolicionistas e republicanas. É neste contexto que no ano de 1899 que Chiquinha compôs a primeira música de carnaval.
Embora algumas cidades, ainda hoje, mantém na agenda festas carnavalescas de grande visibilidade e tradição, como é o caso de Veneza, Florença e Nápoles, é no Rio de Janeiro que acontece o maior espetáculo da terra.

 

 
 
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